o louco ou a torre

no looping fica a gente rindo de nada dentro do carro olhando os turistas indo pro Pão de Açúcar
Florence em Ipanema, noutro dia duas pessoas especiais me fazendo sentir especial
no looping e sem ordem cronológica e sem compromisso com a realidade já quero voltar pra casa
foi um mês insano onde eu chorava de exaustão física, de tristeza pela carência das minhas crianças, e de felicidade porque era trabalho suficiente pra gente ficar bem por um tempo
a gente ria falando dos absurdos que estávamos vendo naqueles dias, e a gente chorava de raiva desses mesmos absurdos, lugares imundos, correndo contra o tempo, falando de depilação, do calor, de ossos expostos, de levar comida pra você no hospital porque você precisava comer
no looping eu arrebentando a perna nas cracas das pedras que resolvi encarar pra sentar, nada a ver
Eu vendo cachorro e vendo que era mais fácil do que parecia quando a gente olhava antes de ir
eu sem máscara, num lugar cheio disso
eu sem sono, e com medo de que aquilo que estava vivendo há 5 dias e não queria que acabasse, acabasse, falando da Anitta com uma argentina e uma venezuelana que não entendiam nada do que ouviam porque não fiz esforço algum de falar espanhol, mas ofereci um pega do meu beck, educada
no mesmo looping, ou em outro, eu saindo de uma galeria numa rua vazia e misteriosa, tomando cerveja, de novo com medo de acabar, mas também com saudade, mas pensando até em preço de aluguel pra ficar
uma chuva inesquecível, dores físicas esquecíveis, comprar tapoé como souvenir de uma cidade especial, congelar queijos pra saudade que começou já lá demorar mais pra eu aceitar que esteve sempre aqui
quanto eu
vivo reparando nisso agora, tudo tem eu no meio
um abandono, dois, três, quantos anos
no sol no bebê conforto sozinha no quintal, o que aconteceu
os dois cachorros que sumiram, o que aconteceu
os pintinhos que viraram galinhas, esses eu sei o que aconteceu
a chica e a chica júnior (veio de surpresa dentro da chica, descobri quando apareceu do lado dela um dia), morreram, em momentos diferentes, primeiro a júnior, contrariando a regra da vida, ambas encontradas durinhas pela manhã
o primeiro pinto que tive, foi esmagado por uma infeliz, coitada, não teve culpa, mas teve também, queria ver o Chaves que passava na tv enquanto comíamos miojo, tava de costas, foi mudar de cadeira, piu, foi o adeus do pinto, que corria solto pela casa, esmagado, as tripas ali, metade do meu prato ainda tinha miojo, me enfiei debaixo do armário chorando, minha mãe me apressava pra irmos pra natação, fui e voltei em silêncio (deve ser o mesmo silêncio que me acompanha até hoje)
as minhas emoções, quem sabe lidar com elas
os peixes, cada um morria de um jeito, inclusive com um primo idiota comendo um deles, quanto tipo de demente já participou da minha vida
viver o luto de uma pessoa viva
uma facada tão real que nem sangra, mata quem esfaqueou
o trabalho não foi suficiente, mas a gente vai resolver isso
quanto é suficiente?
antes eu pensava em te mandar flores por ter me socorrido naquele dia, depois eu prometi que te ajudaria a esconder um corpo se você precisasse matar alguém, achei mais importante do que as flores, hoje eu já não sei mais se cabe alguma dessas coisas porque a dor deixa tudo meio turvo
e os remédios deixam o turvo meio turvo
então eu me lembro do tobogã de pedra dentro do poção, que a primeira vez que desci quando cheguei na água pensei “eu podia ter batido minha cabeça na hora que a bunda mergulhou e só subir uma mancha de sangue na superfície”, teve outras vezes que escorreguei que isso foi ainda mais possível, mas não aconteceu
eu escrevi o nome de dois caras na areia da praia preta, e escrevi “quero você”, mas o que importou mesmo foi que escrevi “cohab gato” dentro de um coração. pra um dos caras, o que estava apaixonada na época, eu mandei uma foto do nome dele escrito na areia. pro outro cara, por quem fui apaixonada há 2 anos atrás e nunca esqueci e o sentimento virou outra coisa e ele voltou pra minha vida e hoje não sei, ele, presumo que nada e que não se preocupe, mas eu não entendo nada, e acho que também não me preocupo, só gosto de quase tudo. pra ele, bem, pra ele eu não mandei a foto. mas quis mandar Quinta, aí não achei a foto na nuvem, porque apaguei (não lembrava), com raiva da minha vênus em leão, que insiste nesses arroubos de afeto e carinho (e biscoito) e “me diz que me ama loucamente porque eu te mandei essa foto com esse seu nome escrito na areia dentro de um coração num lugar tão especial pra mim que eu mesmo bêbada e ocupada com minha felicidade me ocupei de escrever e fotografar e, mais!, de lembrar de você que eu nem deveria lembrar porque não é nada só é agora”
idiotas
minha promessa de não comer big mac, porque uma gata que resgatei quase morreu, venceu tem dois meses. e eu achava que era só em Abril, já posso comer big mac, nem sabia, estou planejando como vai ser isso agora. a gata chamei de Calliope, deve estar feliz com sua família agora
nunca se esqueça, nenhum segundo, que eu tenho amor, maior do mundo, como é grande o meu amor, por vo, cê. 
todos os dias “eu te amo infinito, e pra sempre"
esses meses
e o que mais? não sei, e quem sabe

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