OUVI DE DUAS PESSOAS HOJE “A GENTE PRECISA AMAR” E AINDA NÃO PAREI DE CHORAR


o sintoma mais evidente foi varrer a casa falando 3x em volta alta: 
essa noite foi um bálsamo
essa noite foi um bálsamo
essa noite foi um bálsamo
 
nem de telefone gosto, mas ouvir o seu desejo impune de compartilhar era uma espécie de paz

o episódio foi a aplicação numa frase daquela palavra que descobri nesta semana: eu AQUIESCENDO aquilo que palpita em mim

a metáfora que li na carta escrita com letras recortadas de uma revista velha foi a de um passarinho, 
encontrado no degrauzinho do coreto um pouco morto, 
mas que volta

acho que já escrevi num poema um dia que uma amiga uma vez disse 
que eu era a garota esquecida no estacionamento do supermercado, 
e que ela ia me buscar, 
quem sabe se ela foi

estou chorando há um dia inteiro, não que seja novidade, me verto mesmo,
frequentemente nem nome ao motivo sei dar

agora não é diferente

não é triste, porque é amor, 
nem é só isso
mas é também triste porque tem aquela demanda de literalidade que aperta um pouco aquele passarinho meio morto no degrau da metáfora

respirar é bem emocional:
quando descobri que tinha asma, durante essa primeira e única crise eu chorava como aquele menino que um dia chegou da escola e tinham levado o cachorrinho dele embora
o espasmo dos brônquios se confundia com o choro convulsivo pela conexão direta entre as emoções e os pulmões,
claro que ninguém entendia nada do que tava acontecendo ali, na emergência

se o bicho estivesse mesmo morto, tudo bem
mas às vezes parece que não está, e isso a gente ainda não entende muito bem e não conhece, portanto, o proceder

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